Se você me acompanha a algum tempo, já me ouviu falar sobre o Léco. Meu amigo Léco partiu cedo, deixando um vazio enorme na vida de um monte de gente. Muitos desses vazios o tempo já preencheu. Hoje quero contar uma história breve, que tem o Léco como personagem principal e eu como observador, e deixar aqui como uma reflexão.

O Léco cresceu longe do pai. Não tanto fisicamente, mais no sentido filosofico. Ele não falava do pai, as vezes fazia alguma citação que se eu não estivesse atento, acreditaria que ele estava falando de um conhecido. Um dia estavamos na praia e um homem se aproximou, cumprimentou o Léco e a mim e puxou assunto. Um assunto aleatório poderia ser futebol ou se iria chover. E ali ele ficou, por quase duas horas. Assim como chegou se despediu e saiu caminhando. Perguntei pro Léco quem era ele e o Léco me respondeu: “esse é meu pai”!. Demorei pra entender que aquilo ali era um recomeço.

O Léco era um cara duro, um pouco orgulhoso e bem teimoso. Mas para o recomeço com o pai ele se abriu. E assim, sutilmente recomeçou.

Uma semana depois o Léco faleceu e pra mim ficou a lição: Sempre dá tempo!