O verdadeiro homem invisível

Revisado por Fernando Erthal

Um dia ele levantou pela manhã e não se enxergou no espelho.

Então pensou: “Aconteceu! Virei o homem invisível. Mas agora, o que farei com esse “superpoder”?

Tomou seu café, refletindo por onde andaria, o que faria e se faria. Foi para o trabalho e no caminho, logo confirmou que sim, estava invisível. O vizinho passou por ele e não deu bom dia, o cachorro não balançou o rabo quando o viu, e o motorista do taxi não disse uma palavra o caminho todo, mas para ele, tão acostumado a solidão, estava tudo como em um dia normal.

No trabalho o dia correu como tantos outros. Pessoas passavam por ele e não o enxergavam e aquilo que pensou ser uma dádiva, começou a se tornar uma tristeza.

Na busca de se libertar dos sentimentos ruins, mandou mensagem para um amigo, falando aleatoriedades na esperança de esticar a conversa, mas o amigo sequer percebeu. Postou no seu twitter quase que uma senha dizendo: “Sozinho!”, e logo recebeu respostas. Mas não como gostaria. Eram apenas palavras, palavras vazias. Todas com o clássico “Você não está sozinho” com uma variação ou outra, mas ainda assim só palavras.

Ninguém viu ele almoçar, ninguém ligou pra ele e isso fez que o homem invisível pudesse se convencer de que o problema era sempre foi ele. Ou sempre esteve nele. Sabe-se lá vindo de onde.

Voltou para casa e passou ileso por todos. Estava ali, mas não estava. Sua tristeza ignorada, esperando uma palavra, um abraço, um “o que eu posso fazer por ti”!

Quando ele menos percebeu, vários dias se passaram dessa mesma forma, e o homem invisível então começou a sumir até para ele mesmo.

O tempo passou, até que um dia, alguém, que não se sabe o porquê, perguntou: “Onde está o homem invisível”?

E recebeu a resposta de forma muito natural: “Não vi”!

Este texto foi gentilmente revisado pelo meu querido amigo Fernando Erthal, este sim um escritor de verdade.

O Fernandinho (é difícil pra mim chamar ele de Fernando) tem o site www.fernandome.com.br onde coloca seus contos. Sugiro começar pelo mini contos, são todos envolventes e você ficará fã.

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