O menino em pé na porta

Recebi da minha sogra uma fotinho do Joaquim, parado em pé na porta olhando para dentro de casa. Isso me inspirou esse texto.

O conhecimento não nos prepara para o futuro. O conhecimento, serve de revelação para que entendamos o que nos trouxe até aqui, o que nos formou, e até o que nos destruiu e nos obrigou a uma reconstrução.

Hoje, recebo essa foto da minha sogra, não tenho como não me enxergar ali no meu filho. Em pé na porta. O que será que passa na cabeça dele? Só preocupado com os desenhos? Será que sente medo? Será que se sente seguro? Será que ele está na porta para poder enxergar melhor a rua? São tantas dúvidas que formo aqui no meu coração.

Na mesma intensidade, me vem algumas certezas. Não importa o que passar na cabeça do menino, vamos educa-lo com liberdade e responsabilidade para crescer com empatia. Se hoje a preocupação dele são só os desenhos, estamos acertando e deixando a criança ser criança. Se ele sente medo, vamos lembra-lo que a família estará sempre ao seu lado para o acolhimento. Se ele está na porta para poder olhar para dentro e para fora ao mesmo tempo, vamos incentivar essa mente inquieta aguçando a criatividade e instigando ao aprendizado.

Eu o vejo ali na porta e penso em quantas vezes estive eu ali naquele lugar. Em quantas vezes sou eu, mesmo adulto, que paro cheio de dúvidas e medos, não sabendo se entro ou saio. Não me faltou amor na vida. Mas hoje, aprendemos que precisamos de muito mais que amor para ajudar na formação de um ser humano. Isto aprendi com o tempo.

O Joaquim vem pra viver num mundo que é muito diferente do meu, e de minha parte só resta dar o melhor de mim, para que ele seja sempre o melhor ser humano possível.